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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Para o Corinthians, título é apenas um detalhe


O Brasil prepara-se para ser dividido. A hora de tomar partido e manter- se firme até o fim da história está se aproximando. Isso não tem qualquer referência com as eleições, já superadas na grande maioria dos municípios brasileiros. A divisão, agora, é em relação ao Campeonato Mundial Interclubes organizado pela Fifa (Federação Internacional de Futebol), no Japão, em dezembro.
A competição promoverá, ao menos em solo brasileiro, uma grande divisão entre os que acompanham de futebol – o que deve abarcar em torno de 90% do país. De um lado, durante 90, 120, 180, 210 ou 240 minutos, dependendo dos acontecimentos, estarão os fiéis corintianos esperando que o time mostre sua habitual vontade de vencer nos gramados japoneses. Do lado oposto, estarão os outros.

Mais um
Muitos estatísticos e historiadores do futebol, que ficam estudando os números e acontecimentos do esporte favorito da grande maioria dos brasileiros, irão dizer que os confrontos do Mundial Interclubes serão os mais importantes da história do Corinthians, um clube centenário com dez títulos nacionais (cinco campeonatos da Primeira Divisão, um da Série B, três copas do Brasil e uma Supercopa do Brasil), cinco interestaduais (Torneio Rio-São Paulo), 26 campeonatos paulistas e uma Copa Libertadores da América acumulados ao longo desses anos, além de outras competições de menor importância.
Outros, que não aceitam o fato de o Corinthians ter conquistado, no ano 2000, o primeiro Campeonato Mundial Interclubes da Fifa com um formato abrangente, envolvendo equipes de todos os continentes, insistem em proclamar que o Timão busca um inédito. Ligarão as TVs para torcer pelos mazembes da vida e apostarão todas as suas fichas no Chelsea Laundry Service and Football Club, aquele time inglês onde o bilionário russo Roman Abramovich deixa suas libras, euros, dólares e qualquer outra moeda que cair nos seus bolsos bem mais limpinhas.
De fato, segundo a ótica do bando de secadores, acontecerá algo único na história do futebol mundial caso o Corinthians erga a taça no Japão. Será o primeiro título inédito conquistado pela segunda vez. Afinal, na lista dos campeões mundiais da Fifa, o Timão já figura como o melhor do mundo de 2000 quando superou, entre outros, o Real Madrid. Discutir a grandeza desse título, para os corintianos, é irrelevante. Afinal, torcer para histórica equipe do Parque São Jorge é, por si só, uma experiência única.

Maior que tudo
Enquanto todos os outros times precisam de conquistas para fazer sua torcida crescer e conseguir empolgar seus torcedores, o Corinthians faz isso independente do que aconteça no campo. O tamanho da Fiel se multiplicou entre 1954 e 1976 sem que qualquer taça fosse levantada.
Em 1976, a Fiel entrou para a história do futebol ao “invadir” o Rio de Janeiro com aproximadamente 70 mil pessoas e “dividir” o estádio com o suposto dono da casa, o Fluminense. O episódio da “invasão corintiana” é a grande marca do Campeonato Brasileiro daquele ano e não a conquista do Internacional.

O técnico Carlos Alberto Parreira, campeão brasileiro pelo Corinthians em 2002 e também vencedor de títulos menores como a Copa do Mundo de 1994 com a seleção brasileira, uma vez disse que “o gol é apenas um detalhe” no futebol. Para os corintianos, o título é apenas um detalhe. Quando o bando de loucos invadir o Japão nas finais do Campeonato Mundial, um novo marco será estabelecido. O segundo título mundial do Corinthians será apenas mais um detalhe nessa relação de amor entre a mais expressiva torcida de futebol do planeta e seu motivo de paixão.


Escritor - Paulo Matuck

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